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A dor da gente

“Mas para que

Tanto sofrimento,

Se nos céus há o lento

Deslizar da noite?

Mas para que

Tanto sofrimento,

Se lá fora o vento

É um canto na noite?”

O sofrimento tem um doce perfume que inebria e embriaga mentes e corações. Uma dose excessiva anestesia, deixa a gente um pouco tonto e aturdido. Desilusões, enganos, mentiras, derrotas, frustrações, deixam a gente comovido, perdido e às vezes alucinado. Mas existe alguma coisa de belo no sofrimento, alguma coisa grandiosa, eloqüente. Existe um pouco de poesia no sofrimento; sobretudo no amor. Sofrer por amor é algo que transcende o espírito, a alma.

Mas não pode ter dor!

A dor da gente, ninguém vê, ninguém sente, ninguém quer saber!

“Mas para que

Tanto sofrimento,

Se agora, ao relento,

Cheira a flor da noite?”

É preciso encontrar a beleza e o encanto em tudo na vida. É preciso procurar compreender a dureza, a aspereza e os mistérios deste mundo.

É preciso experimentar sentimentos, é preciso desafiar o destino, driblar as pedras no caminho. É preciso romper barreiras, ter atos de ousadia; é preciso resistência pra agüentar a pressão. É preciso ser forte pra agüentar o rojão. É preciso ter ternura pra não agredir. É preciso ter bondade pra não bater. É preciso ser humano pra entender as armadilhas do destino.

Mas não pode ter dor!

A dor da gente, ninguém vê, ninguém sente, ninguém quer saber!

“Mas para que

Tanto sofrimento,

Se o meu pensamento

É livre na noite?”

Voa meu pensamento pela noite afora.

Leva contigo meu espírito livre.

Viaje pelas belezas e horrores do mundo.

Me traga notícias; boas e más. Me provoque, me alegre, me entristeça, se preciso for.

Mas não pode ter dor!

A dor da gente ninguém vê, ninguém sente, ninguém quer saber!

 

Leia Manuel Bandeira, momentos de pura poesia!

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