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Alma partida

 “Na Rua Aurora eu nasci

Na aurora de minha vida

E numa aurora cresci.

No largo do Paissandu

Sonhei, foi luta renhida,

Fiquei pobre e me vi nu.”

 

Esta cidade que um dia foi nua.

Agora confronta paredes, janelas, antenas.

O frio concreto esconde ferro, aço, cimento.

Por trás destes arranha-céus cinzentos,

Dores, amores, sonhos e paixões.

A arquitetura assusta pela imponência.

Mentes ambiciosas e corações partidos se misturam, ocultando segredos.

Do nono andar, olhando a imensidão de prédios, também escondo os meus.

Esta paisagem não me é estranha!

Já estive aqui antes, nesta moldura,

Olhando tudo isso e juntando os cacos da minha alma partida.

A noite vem chegando, as luzes se acendendo.

Mais um dia se acabando, e eu escrevendo mais um capítulo da história do mundo, a minha.

São Paulo, terra cantada por Drummond, Bandeira, Vinícius, Caetano!

São Paulo, terra exaltada e imortalizada por Mário de Andrade.

 

“Nesta Rua Lopes Chaves

Envelheço, e envergonhado.

Nem sei quem foi Lopes Chaves.”

 

Quem poderia imaginar que fosses crescer assim.

Perto de ti tudo fica tão pequeno, insignificante.

Mas, apesar dessa dureza e aspereza, ainda guarda a ternura, a beleza e a poesia de séculos atrás.

A mesma ternura, beleza e poesia que trago dentro do peito neste momento, no nono andar de um desses prédios, olhando a janela e recolhendo meus sonhos para uma nova vida!

“Mamãe! Me dá essa lua,

Ser esquecido e ignorado

Como esses nomes de rua.”

 

Leia “Mário de Andrade”. Momentos de pura poesia.

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