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As mulheres deveriam chorar mais

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou.

Vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

No limite de suas forças ela se transforma em muitas. Mãe, filha, avó, dona do lar, empregada. E ainda lhe sobra tempo para amar.

As bandeiras são muitas, mas seu espaço vai sendo conquistado. Da ingenuidade do passado às guerreiras do presente. A queima do sutiã ficou para trás. A vida lhe impõe desafios todos os dias, mas o peso da cruz é sempre suportável. O preconceito sofrido endurece o rosto, porém sem jamais perder a ternura.

 Aceito os subterfúgios que me cabem.

 

Sem precisar mentir.

… e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Sua sina vai se cumprindo, e de vez em quando sua energia é renovada pelo amor, esta fonte inesgotável de prazer. As barreiras e as pedras do caminho, encara com naturalidade e tranquilidade. E na aspereza da vida também resolve e vence batalhas. E assim vai caminhando, a trilha nunca foi fácil. O sol e a lua são testemunhas da felicidade e do calvário.

“- dor não é amargura.

 

A condição de mulher é pura poesia. Sonha acordada, não tem tempo para lamentos. E no seu choro, o mundo se transforma, fica melhor, mais límpido, mais humano. As mulheres deveriam chorar mais. Sua lágrima lava e lavra a terra, deixando-a mais fértil. O choro feminino é sublime, pleno e cheio de emoções. Carrega a idade da terra e do homem. Carrega também todas as ilusões perdidas, o lirismo e a ira. Carrega, ainda, sangue, leite, ódio, prazer e uma vontade desesperada de engolir o mundo para proteger sua cria. Quando necessário, braços e mãos se multiplicam num abraço. O colo se torna um berço de aconchego e proteção. O ventre é mágico, transformador, irradia e gera vida.

Esse ser de carne, osso e alma, cheio de simbolismos, compensa seus defeitos e erros com a busca e a luta incansável pela felicidade.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

 

Mulher é desdobrável.

 

Leia Adélia Prado, momentos de pura poesia.

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