Artigos

“Essencial é Viver”

“É noite. Sinto que é noite

não porque a sombra descesse
(bem me importa se a face é negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se o desânimo.”

Com a poesia e os mistérios que ela carrega, a noite vem e invade lares e a cabeça dos homens. Testemunha de cenas, casos, histórias, ela passa serena, tranqüila, agitada, violenta e assiste a tudo, impassível. Desfilam assim os horrores, as paixões, as mortes e os nascimentos.

Estrelas, lua, violência, crimes, terror, amor, prazer, música, futebol e, mais tarde, silêncio. Surgem inspirações, alegrias, receios e medos. Histórias são destruídas e construídas constantemente. E a tudo isto ela assiste, como se fosse testemunha e cúmplice.

“Não é dor nem paz, é noite,

é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!

E salve, dia que surge!

Os corpos saltam do sono,

O mundo se recompõe.”

A fumaça das fábricas, os carros em movimento. O andar apressado, tumulto nas lojas, nos mercados, nas feiras despertam para um novo dia. O canto das cigarras, dos pássaros, o riso das crianças também fazem parte deste cenário. O sol, a claridade desnuda o universo. A noite traz o sonho e o dia, a realidade.

“Existir: seja como for.

…amar mesmo nas canções.”

Mas pra onde seguir? O que escolher? Qual a direção?

Não importa!

“Clara manhã, obrigado.

O essencial é viver!”

Leia Carlos Drummond de Andrade, momentos de pura poesia.

Deixe uma resposta

Copyright 2012 .: Walmir Cultura :. | Todos os direitos reservados