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Homens Partidos

 “Este é tempo de partido, tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,

viajamos e nos colorimos.

A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.

Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.

As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.

Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.”

O homem veio com o DNA comprometido, com defeito de fabricação. Assistimos inquietos e passivos aos horrores que nos mostram a TV, os jornais, as ruas. Nossa indignação trava na garganta e o grito não sai. Somos do mesmo DNA. Estamos todos defeituosos, padecemos do mesmo mal.

 

A ganância e o poder a qualquer preço lentamente destroem os homens. Falta pão, o discurso é falso. Os culpados são aqueles que não vemos. A roda gira, a engrenagem não para, atuamos e criamos nossos próprios personagens, estamos robotizados.

“Calo-me, espero, decifro.

As coisas talvez melhorem.

São tão fortes as coisas!

 Mas eu não sou as coisas e me revolto.

Tenho palavras em mim buscando canal,

são roucas e duras,

irritadas, enérgicas,

comprimidas há tanto tempo,

perderam o sentido, apenas querem explodir.”

 E quando explodir?

Ficarão cacos, retalhos de homens e mulheres.

Talvez despedaçado, o homem reaja.

Encontre a cura do grande mal.

E assim renasça a paixão pela natureza e pelo seu irmão.

Estamos em tempos difíceis.

 

Leia Carlos Drummond de Andrade. Momentos de pura poesia.

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