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Medo de gente

“Em verdade temos medo.

Nascemos no escuro.

As existências são poucas:

Carteiro, ditador, soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.

Vestimos panos de medo.

De medo, vermelhos rios

Vadeamos.”

Temos medo da vida, da morte, do mundo.

Da bebida, do cigarro e de outras drogas.

Temos medo do jogo e do vício.

Da ladeira, do beco, da rua deserta, do escuro

Temos medo do trovão, do relâmpago, da chuva.

Temos medo de muito sol e de muito frio.

Do fogo, do mar, do automóvel e do avião.

Temos medo da pobreza, da miséria e da barbaridade.

Temos medo da amizade e da paixão. 

“Refugiamo-nos no amor,

Este célebre sentimento,

E o amor faltou (…)”

 

Temos medo de ser e de não ser.

De ter e de não ter.

Temos medo pelos outros;

Pelos pais e pelos filhos.

Temos medo de partir e de ficar.

Medo da presença e da ausência.

Da lucidez e da loucura.

Da felicidade e do sofrimento.

Fomos criados com medo e para o medo.

Medo de bicho-papão, de assombração.

De fantasmas e de gente. 

“Assim nos criam burgueses.

Nosso caminho: traçado.

Por que morrer em conjunto?

E se todos nós vivêssemos?”

Mas não dá!

Temos medo de gente!

Leia Carlos Drummond de Andrade, momentos de pura poesia.

 

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