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Movimento do “Eu” protagonista

Partindo do pressuposto de que o mundo é um grande teatro, no qual pouco são os atores e muitos os espectadores, e da premissa que de “artista e louco” todo mundo tem um pouco é possível fazer uma análise do que vem ocorrendo ultimamente em nosso País. Digo análise porque entender esse movimento é um pouco mais difícil. Existe um fenômeno no ar, disso ninguém duvida. As análises são muitas e pouco convincentes, pelo menos ao meu olhar.

Vejo um movimento criado pelas redes sociais por meio da juventude e da classe média, sobretudo em que se misturam progressistas, intelectuais, artistas, alienados, conservadores e também idiotas e vândalos de diversas faixas etárias e classes sociais. Um movimento confuso e difuso; se ataca o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Um movimento que se diz democrático, mas apartidário. O que há de real é uma insatisfação contra tudo, contra todos, contra nada e contra ninguém.
Estamos vivendo um grandioso “espetáculo teatral” dentro de uma imensa “virada cultural”, onde todos resolveram se tornar artistas protagonistas. Há de se estranhar o fato de que o Brasil já passou por momentos bem mais difíceis e nada disso ocorreu. É justamente num momento em que o País avança em políticas sociais e que milhões saem da linha da pobreza que esse fenômeno acontece.
Pois bem, nesse imenso “teatro” e nesse “´palco” gigante todos perceberam a grande “tragicomédia” e resolveram participar dela. Um espetáculo construído por “muitas mãos” e “muitas vozes”, onde todos são “atores” e não há “direção”. Cada um dá sua contribuição de “improviso”, alguns têm até seus “textos” e “cenas” decorados. Usam também a “mímica”, o “canto”, a “dança” “o trapézio”.
Há ainda os “atiradores de facas” de “balas” e os incendiários. Vale tudo neste espetáculo, um movimento legítimo e popular. O alvo maior é a política. Talvez isso seja explicado pelo distanciamento dos políticos de suas bases. A maioria desses manifestantes está bem intencionada, mas também há uma minoria de aproveitadores e sabotadores. Isso também é normal, senão a “peça” fica chata. Muitos ignoraram o movimento; políticos e a própria mídia não deram muita importância, mas depois perceberam o erro e estão atentos.
Como a “peça” é de improviso, cada um que entra em cena dá sua “fala” e seu “grito”. De bom está o fato que agentes passivos atrás de um computador se tornaram ativos e foram para as ruas. Perceberam que neste grandioso “espetáculo” todos têm a oportunidade de participar e entrar para a história. De ruim está que não há democracia sem a presença do Estado e os partidos fazem parte dele, não se pode ignorar. Espetáculos sem direção, ninguém sabe como pode acabar. Eis aí o perigo, algum oportunista pode aparecer como salvador da pátria. Já vi este “espetáculo” antes.
De minha parte, meu “texto” está decorado: reforma política já, democratização dos meios de comunicação e imposto sobre grandes fortunas. Enfim, está aí o “barco à deriva” e embora possa parecer “lugar comum”, espero que o “espetáculo” tenha final feliz para o povo e que a democracia saia fortalecida.

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