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O sol nasceu para todos?

“Eu vivo num tempo sem sol.

Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,

uma testa sem rugas é sinal de indiferença.

Aquela que ri ainda não recebe a terrível notícia.

Que tempo são esses, quando falar sobre árvores é quase um crime, pois significa silenciar sobre tanta injustiça.”

Esse texto parte um poema de Bertolt Brecht, tinha um sentido diferente durante a guerra.

Porém, continua atual devido a diversos acontecimentos em nosso país e no mundo.

Como ficar indiferente diante de crises fabricadas com interesses escusos?

Como não se manifestar diante de escândalos financeiros, políticos?

Como ficar alheio diante de tanta pobreza e miséria?

“Me dizem: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que eu posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?

Se o copo de água que eu bebo, faz falta a que tem sede? Mas, apesar disso, eu continuo comendo e bebendo”.

Estamos cegos diante da realidade vivida. Miseráveis são ignorados por nós. Contra a violência, muros altos, carros blindados, câmeras e outras tecnologias. Como política de Estado, mais cadeia e menos escolas e espaços culturais.

E os alienados não vêem e não fazem nada, apenas criticam a  política.

“Eu queria ser um sábio. Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: se manter afastado dos problemas do mundo e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos , mas esquecê-los. Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim.

É verdade, eu vivo num tempo sem sol!”.

Leia poemas de Bertolt Brecht.

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