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Crítica: Teatro da Neutra emociona em encenação de “A Serpente”

Há tempos não assistia a um espetáculo que me emocionasse.

No último final de semana tive dupla emoção ao assistir “A Serpente”, de Nelson Rodrigues, encenada pelo grupo “ Teatro da Neura”.

Fiquei emocionado pela excelente montagem da trupe e, sobretudo, porque para além da montagem pude perceber o amadurecimento dos atores e mais ainda de saber que todos eles, de alguma maneira, fazem parte da minha história. Pessoas que conheci e que acompanho a história há algum tempo.

O espetáculo tem direção firme, as cenas são bem construídas, o cenário é simples e eficiente, a iluminação precisa e a trilha sonora complementa o espetáculo que trás um elenco afinado e entrosado. Pode-se dizer que o “Neura” é realmente um grupo.

Considero “A Serpente” um dos melhores espetáculos de Nelson Rodrigues. No ano do centenário de nascimento do autor o grupo presta uma bela homenagem, o que por si só já é motivo de reverencia-los, mas “A Serpente” do (Neura) vai além, a montagem tem uma beleza plástica e encanta a plateia.

A cena final é pura poesia. Em tempos de muita tecnologia, de muita fumaça e muitos efeitos, o (Neura) trás de volta o bom e velho teatro, um palco e atores de verdade, contando uma história.

Obrigado pela essência do teatro estar de volta e, obrigado pelos frutos de um projeto que deu certo.

Teatro é isso; pessoas sérias que amam o que fazem, uma boa história e a plateia encantada. E se os atores são amigos, a felicidade é dupla; precisa mais?

Walmir Pinto, ator e jornalista

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