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Um encontro com o mito Oscar Niemeyer

Era um escritório amplo em plena praia de Copacabana. Das janelas onduladas via-se os lados norte e sul, uma belíssima paisagem e belíssima arquitetura. O escritório era meio desordenado, desorganizado, não havia recepção, nem recepcionista.

Quando entramos, já estávamos ao meio da sala, onde várias pessoas conversaram em vários pequenos grupos. Ninguém veio nos atender, tivemos de procurar alguém e nos apresentar. Foi um misto de decepção e expectativa do que poderia acontecer. A pessoa que procurávamos ainda não havia chegado e nos atenderia numa sala ao lado.

Ficamos aguardando um pouco. Enquanto isso, admirávamos aquele espaço que para além da estética, contém uma história linda e extremamente importante para o nosso País e porque não dizer para o mundo.

Depois de algum tempo fomos levado para o encontro com o nosso personagem. Quando entramos naquela sala pude perceber um espaço ainda mais desorganizado, ainda mais bagunçado, livros e papeis aos montes e espalhado por todo lado. Num canto da sala, sentado numa cadeira, aquele homem franzino, mirrado, passivo e tranquilo, fumando uma cigarrilha preta dentro de uma piteira, aguardando a nossa entrada e nossa conversa.

Confesso que fiquei impressionado; era um homem prático,  objetivo, de fala mansa e tranquila. Um homem gentil que conhecia bem o seu ofício. Por trás daquela bagunça existia a genialidade e a organização. Perguntou, questionou, sugeriu, falamos um pouco da política, de arte, pedimos autógrafo em um de seus livros, tiramos várias fotos. Sentimos que ele simpatizou conosco. E assim nos despedimos do mito Oscar Niemeyer.

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