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Vida de artista

“Tirar dentro do peito a emoção,

A lúcida verdade, o sentimento!

- E ser, depois de vir do coração,

Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso de alto pensamento,

E puro como um ritmo de oração!

- E ser, depois de vir do coração,

O pó, o nada, o sonho dum momento…”

O coração do artista sangra todos os dias.

Toda beleza da vida lhe toca. Todas as dores do mundo o atingem.

É um alvo de flechas, de tiros, de dardos, de pedras.

É despedaçado e reconstruído a todo momento.

O cérebro do artista arde todos os dias. Todas as emoções o atingem; a beleza, a imundície.

Os pensamentos o invadem, provocam, deturpam, confundem. É preciso transformar, traduzir tudo isso em arte!

É necessário extrair de tudo isso a poesia! 

“São assim ocos, rudes, os meus versos:

Rimas perdidas, vendavais dispersos,

Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,

O verso altivo e forte, estranho e duro,

Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!”

Quem me dera traduzir a loucura de Nietzsche, de Hamlet, de Van Gogh; o desespero e a poesia de Modigliani. A beleza de Caravaggio; o sarcasmo, a ironia e a genialidade de Picasso, e também o virtuosismo de Mozart, de Beethoven. Quem me dera pudesse exprimir o sentimento de Buckovski, Maiakovski, Baudelaire, Rimbaud, Pessoa, Bandeira e Drummond! Quem me dera ter lampejos de Shakespeare!

Mas quem sou eu? Apenas mais um artista com o cérebro ardendo e o coração sangrando todos os dias.

* Leia Florbela Espanca, momentos de pura poesia!

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