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Virada Cultural: cultura não é evento, mas um direito de todos os dias

A Virada Cultural Paulista, projeto do governo do Estado de São Paulo e que chega a Mogi das Cruzes neste fim de semana, é um exemplo de como a cultura é tratada com descaso no âmbito da gestão pública estadual. Apesar de poucos bons nomes e atrações culturais, o que se vê nesses dois dias de evento, realizado apenas uma vez por ano, é o fazer cultura para simples entretenimento e diversão.

Sabemos que a cultura é o elemento universal que une povos, que rompe barreiras e, acima de tudo, tem o poder de transformar a sociedade. Neste processo, a arte tem um papel fundamental na vida das pessoas. É por meio dela que crianças e jovens, ao seu primeiro contato, poderão se sensibilizar e escolher o caminho, senão de se tornarem artistas, com certeza em agentes conscientes de seu papel transformador do meio em que vivem.

Diante disso, é de responsabilidade do poder público, em todos os níveis (federal, estadual e municipal) tratar a cultura como política pública, e não como mero evento, como acontece na Virada Cultural.

A edição de São Paulo realizada no início do mês nos dá um retrato fiel do verdadeiro caos que se transformou a atração. E por que isso? Porque não existe em nosso Estado uma política cultural eficiente. Que valorize os artistas como um todo e contemple todas as vertentes culturais e não só a música e o teatro, mas também o cinema, a dança, a literatura, as artes plásticas.

Hoje, o que existe são eventos esporádicos, sem qualquer compromisso com a formação de público e com a construção da cidadania. Não podemos aceitar que a cultura continue sendo tratada como um capricho pelo governo estadual e ofertada somente uma vez por ano.

Assim como a saúde e a educação, direitos assegurados continuamente a toda população, a cultura também precisa fazer parte da cesta básica de necessidades diárias de todos nós. Só assim é possível construir uma sociedade consciente de seu papel enquanto agente de transformação e avançar na inserção social.

Volto a repetir: queremos cultura todos os dias. Não apenas uma vez por ano!

 

Uma resposta para “Virada Cultural: cultura não é evento, mas um direito de todos os dias”

  1. Paulo Caverna disse:

    Apoiado seu Valmir sem falar que é uma vergonha fazer com que os grupos fiquem concorrendo entre si para ganharem migalhas que muitas vezes não paga nem a produção do espetáculo.

    Cia Trup Trolhas (Paulo Caverna)

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